quarta-feira, 19 de setembro de 2012

o Google earth é o meu melhor e-amigo


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Balance no Parque Natural do Tejo Internacional

Acabo de chegar de três dias fantásticos a descer o rio Tejo.
Entre Alcántara na Extremadura Espanhola, e Herrera de Alcántara, uma aldeola de duzentos habitantes perdida nas serras.
Um percurso de cerca de 50 km em três dias de canoa e kayak. Paisagem soberba e vida animal como julgava não haver por cá! Não vimos ninguém durante os três dias, excepto nós mesmos, e nada de carros, aldeias, casas... três dias de incontáveis serranias, veados, javalis, raposas, lontras, abutres, grifos, guarda rios, patos, cegonhas, garças reais, bufos, corujas, águias, falcões, perdizes... mas principalmente com amigos 5 estrelas. Espectáculo!!!



A caminho do Tejo, este é um afluente.


Extremadura.


A maior ponte do império Romano, em Alcántara, vale a pena visita tem muitos locais de interesse para conhecer.

A colossal barragem que segura as águas a montante, também em Alcántara.

TIR. Aguenta Peugeot para não andares a rir da Berlingo!

Vizinha na contemplação!


Entramos no rio com a noite a cair... remamos uma hora na completa escuridão e como não encontramos sitio para acampar voltamos tudo para trás e acampamos no sitio de partida... faz parte! 







Estamos a rir do José Cid, lá de trás...

Este.






A minha Pocahontas.


Balance.

The whole team. Da esquerda para a direita, Sandra, Victor, eu, Rui, Cândido, Miguel, Rita e na fila de baixo a Isabel com orelhas de rato Mickey.



À espera de um magnifico almoço em Herrera. A discursar o Ernesto, o simpático taxista local que nunca se cala e que nos levou de volta para Alcántara para ir buscar os nossos carros. São 50 km por rio e 80 km por estrada.


O amigo Victor como os seus saudáveis 70 anos e uma forma física igual à t-shirt, invejável!
Não há muito tempo fez os caminhos de Santiago do lado Francês em bicicleta. 1000km em 10 dias!! 




Já estamos a combinar a próxima!

Rio Sado ☺

estoupraver...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A pena do meu Pai.

A viagem ao Cáucaso, pela pena do meu Pai, que escreve muito melhor que a minha.
In: Jornal de Minde. Ago2012



É já ali...
ao dobrar a esquina

Um indivíduo não pode ser um cinzentão toda a vida.
Há momentos de extravasar, de se aventurar, de fazer umas asneiras, desde que elas não sejam irremediáveis. Caso contrário, até parece que se nasceu dentro de uma redoma e nunca se teve coragem de mandar a redoma às urtigas.
Era mais ou menos isto que eu pensava depois de, num momento de alguma irreflexão, ter dito ao meu filho – Vamos a isso! – e de ter começado a pensar que me estava a meter numa grande alhada. Já com ele a situação é diferente. Se lhe resta na memória ter acompanhado o pai em alguma aventura infantil, a verdade é que rapidamente abriu asas e furou sozinho muitos horizontes. Desde os mil buracos da nossa serra, à escalada aqui perto e mais longe, até chegar à travessia do Atlântico em barco à vela, com mais três amigos, desde Cabo Verde até às Caraíbas. Chegaram aos Barbados três semanas depois de terem partido. Os anos vão passando, o filho vai amadurecendo e o pai vai ficando velho, e foi agora que o filho entendeu que era boa altura de fazermos uma aventura em conjunto. Para os que não sabem, o meu filho é o Ricardo, e  assim me vou referir a ele daqui para a frente.

Em vez do cavalo do D. Quixote e da burra do Sancho Pança
… uma Berlingo um bocadinho artilhada



É como se vê! O Ricardo dividiu a caixa de carga da Berlingo em dois pisos. No rés do chão, cujo acesso é pela traseira ou levantando parte do soalho do 1º andar, transportam-se roupas, comestíveis e equipamentos – fogareiro camping-gás, reservatório de 20 l de água com torneira, reservatório para combustível de reserva, e trem de cozinha – alguidar com pratos, talheres, copos, detergente da loiça, esponja e pano de cozinha. Ainda no rés do chão, mas com acesso pela porta lateral, uma mala térmica com arrefecimento, mas que só funciona quando trabalha o motor do carro. Permite ter bebidas frescas e conservar alguns alimentos. O 1º andar cresce em comprimento chegando para a frente os assentos do carro e retirando a rede que separa o compartimento de carga. Dois colchões de espuma, sacos cama e cortinas que prendem por dentro com velcro, e temos uma área muito confortável para dormirem duas pessoas. De vez em quando dorme-se em hotel para poder tomar banho, apesar de levarmos um chuveiro de campismo.
No total dormimos 14 noites na carrinha e 6 em hotel. O Ricardo instalou ainda, no compartimento da frente, várias tomadas de 12 volts para o GPS, caixa frigorífica e outras finalidades. Deram um jeitão em certa altura. E ainda duas tomadas de 220 volts para carregar telemóveis e baterias das máquinas
fotográficas. Para além disso, passaportes, documentos de Vistos, mapas - o GPS não é acessível desde o fim da Turquia até entrar na Rússia – dinheiro e informação sobre a moeda de  cada país, valor de câmbio, blocos de apontamentos, mini-dicionário de russo. E ainda meia dúzia de relógios, daqueles que fazem um espectáculo no pulso, mas custam 3 € no Chinês. Eu um dia ainda lhes conto quanto renderam os relógios…

Aí vamos nós

No dia 30 de Junho partimos de Minde, alojados na carrinha, preparados para algumas eventualidades - nunca se está preparado para todas – com o plano de seguirmos para leste. Passar em grande velocidade Espanha, França, Itália, Islovénia, Croássia, Sérvia, Bulgária, e entrando na Turquia até Istambul.
Depois, na mesma direcção, em marcha mais lenta, tentando chegar à Geórgia, à Arménia, e a Nagorno Karabach. A seguir, rodando o Mar Negro pela Abekázia, Rússia e Crimeia. A partir daí, continuando pela Ucrânia, Moldávia, Roménia e Hungria. Depois, com o mínimo de paragens, pela Áustria, Alemanha e Suiça, de modo a fechar o circuito no sul da França, com regresso a casa.
Em termos de objectivos, rodear o Mar Negro, e dar uma olhadela às independências dessa zona nascidas da Perestroika. Na medida do possível visitar os povos que tiveram de pegar em armas por não aceitarem trocar a dependência da União Soviética pela dependência de um outro país com o qual não se identificavam, caso de Nagorno Karabach,ou simplesmente ficando prejudicados nos seus interesses – caso da Abekázia.

Dia a dia

O programa diário começa pelas 7 horas. 30/45 minutos para higiene matinal, arrumo da carrinha, e pequeno almoço - leite com chocolate, pão e manteiga (doce/presunto), e vamos para a estrada.
Conduz ora um, ora outro. Pelas 11h, uns minutos de intervalo e vai uma sandes com uma bebida. Nova etapa, novo repouso e mais uma sandes pelas 15h. Pelo por do sol, procura-se um sítio bom para pernoitar – numa área de serviço de estrada se houver, ou um pouco retirado da estrada, de preferência à beira dum rio, em sítio discreto mas de boa visibilidade. Uma vez escolhido o local, inspecção aos arredores, fogão aceso, um fio de azeite, umas rodelas de cebola, tomate, chouriço (ou linguiça ou salsicha) sai o refogado, água até ferver, arroz, massa ou esparguete. Ou um jantar de enlatados ou ainda uma sopa das que se compram desidratadas. Enquanto coze, as duas cadeiras de repouso, dois copos de vinho para acalmar, até que o nosso jantar está pronto. Depois do prato, uma fruta e um nescafé, se apetecer. Tudo feito à medida, para que não falte nem sobre. Não havendo TV nem entretenimento nocturno, arrumar a cozinha e vamos dormir, já que, quem cedo se deita, cedo acorda. E foi neste ritmo que fizemos 14.693 Km em 21 dias, estivemos em 21 países e atravessámos 47 fronteiras, contando as da Comunidade Europeia.

Curiosidades

-Nagorno Karabach é o único território do mundo que se considera independente, mas nenhum país o reconhece como tal. Resultado: só tem uma porta por onde se pode entrar e sair. Confronta com a Arménia e o Azerbeijão mas só está aberta a porta da Arménia. Entrámos, fomos até à capital – Stepanakerk – fomos muito bem tratados, mãe e filha, todas sorridentes porque não havia outro modo de nos entendermos,
serviram-nos no quarto do hotel um belíssimo pequeno almoço, e voltámos à Arménia sem darem pela nossa falta. O que nós queríamos era atravessar o território e sair pelo leste para o Azerbeijão mas a fronteira está fechada. -A Abekásia fez guerra para se separar da Geórgia e teve o apoio da Rússia. Mais
tarde foi negociado o cessar-fogo, o território considera-se independente e tem o reconhecimento da Rússia, mas não o da Geórgia, que continua a proceder como se a Abekásia fizesse parte do seu território.

Resultado: passámos da Geórgia para a Abekásia, devíamos ter voltado pela mesma fronteira para a Geórgia…mas não voltámos, e saímos pela fronteira do outro lado entrando na Rússia. Ainda agora na Geórgia devem andar à nossa procura. Cá por nós, podem continuar à procura … gostei de ver o país mas não espero voltar

Se esta crónica o divertiu, voltamos para a próxima!

A Nogueira

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Até à Berlenga num quatro vinte

Em 2003 fui a até à Berlenga com o Rui, esse mesmo que fez equipa comigo até ao Mali! O que seria um normal fim de semana naquela época, ficou nas nossas memórias como uma aventura inesquecível. Tínhamos comprado um 420 (o barco de vela ligeira, com 4,20m de comprido) a meias. Pusemos um pouco de parte o sonho de ter um grande veleiro para dar a volta ao mundo e compramos o que o nosso dinheiro permitiu. O 420 era uma relíquia; tinha 20 anos, um casco muito sólido, mas metia água nas tampas dos flutuadores e pelo patilhão as velas estavam utilizáveis, apesar do desgaste. O alumínio do mastro mostrava a sua idade... uns tempos mais tarde o mastro partiu-se ao largo de Mil Fontes e o barco teve de ser rebocado pelos pescadores.


O atrelado tinha sido "arranjado" numa marina, num acto de desespero... pelo caminho rebentou um pneu e lá tivemos que inventar chaves de rodas que não tínhamos e procurar quem nos arranjasse o pneu. Nada que demovesse a nossa vontade férrea de irmos à Berlenga no nosso maravilhoso veleiro.

Aparelhamos o barco numa praia em Peniche.



Havia um pouco de nortada, de maneira que até à Berlenga foi um tirinho, os dois sentados no mesmo bordo do barco e sempre a ripar até à ilha.
Quando chegamos, amarramos o barco a uma bóia e fomos fazer o reconhecimento do local. Junto às casas não havia grande local para dormir, de maneira que tivemos que mudar de sítio. O barco é que já estava armado em submarino, cheio de água, já mal flutuava, mas lá baldeamos a água e continuamos. A Berlenga não é fácil... todas as bóias têm dono, o cais é para o barco dos passageiros, pescadores, escuteiros e  as gaivotas mandam no resto. Sítio para clandestinos fora dos circuitos turísticos não há!



Lá encontramos um sítio menos mal... apesar do corrupio de transeuntes.



Sopinha para o jantar.






Passamos a noite possível... entre turistas barulhentos e pescadores mal humorados... no outro dia fomos em busca da paz desejada... Farilhões, os calhaus que ficam por trás da Berlenga. Aqui sim, reina a natureza, a ilha não tem nada, só um pequeno farol alimentado com painéis solares. Aqui reinam as cagarras e os percebes.






Lindo!

Pois, ficas melhor de barrete!
Por questões de segurança, removo a nossa identidade.

É que enchemos a barriga com os melhores percebes do mundo! e cuja apanha é ilegal, claro está...
Nunca tinha visto tantos e tão grandes ☺

Vais preso mas de barriga cheia...

Muita rocha carregada de percebes.
Com o anoitecer, a passarada faz um barulho incrível, tipo Parque Jurássico, a atmosfera fica mágica! e a noite em que apareceram todas as estrelas do firmamento deu-nos a mais saborosa sensação de liberdade! Há locais verdadeiramente fantásticos e este é sem dúvida um deles.
No outro dia regressamos a Peniche, o vento tinha caído... o que para cá fizemos em menos de uma hora, para lá demorou quatro... 




O 420 ainda proporcionou muitas aventuras. Uma vez estivemos acampados na ilha do Pessegueiro, quase uma semana a pescar.  
Outra vez o Rui saiu a velejar sozinho com o barco, coisa que fazia com frequência. Estava ao largo de Sines, perto do molhe Norte, era já fim de tarde quando começou a regressar ao clube náutico, exagerou-se com o leme a dar o bordo e virou o barco, coisa que acontecia também com frequência e que duas pessoas resolviam com rapidez e pouco esforço. Já para uma pessoa sozinha não é assim tão fácil...  Tentou uma ou duas vezes pôr o barco direito e não conseguiu. A princípio não deu muita importância ao caso porque estava convencido que era uma questão de persistência, faz-se força no patilhão e puxa-se por um cabo preso ao topo do mastro e o barco fica direito... o problema é que começou a entrar água dentro dos flutuadores e o barco começou a afundar. Quando se apercebe disto, o Rui entra em desespero, o mar em volta estava super sereno... não se avistava vivalma... rapidamente avalia as várias hipóteses, nadar para terra, nadar para a bóia de espera dos navios, afundar juntamente com a embarcação como um verdadeiro capitão. Exclui imediatamente a terceira hipótese, porque tinha mais que fazer do que morrer afogado! a primeira hipótese foi também afastada depois de muito ponderar, terra estava realmente longe... restava-lhe a bóia que estava muito mais perto, a ideia de passar uma noite gélida em cima da bóia não era muito agradável...mas sobreviveria...
A bóia de Sines.
Resignado e movido pelo espírito de sobrevivência, põe-se a nadar. Passados vinte minutos já quase a chegar à bóia, passa-lhe à frente um barco de pesca! o Rui grita e esbraceja mas o barquinho prossegue a sua rota, imutável. Porém, no último instante, sai um homem da cabine que vem verter águas à ré e vê o náufrago! O barco dá meia volta e recupera o Rui roxo de frio... a bordo náufrago e pescadores, todos se emocionam. Mas o choque passa rápido e o Rui já só pensa em resgatar o 420 antes que as profundezas o reclamassem. 
Voltou a vestir o fato de neopreno e com a ajuda dos pescadores endireitou o barco, abriu as boeiras e as tampas dos flutuadores e veio sentado no barco a reboque. Perto da marina os pescadores soltaram o cabo de reboque e o barco deslizou suavemente até ao molhe de atraque, como se nada tivesse acontecido, enquanto o último raio de sol desaparecia no horizonte...
Passado um bocado ligou-me a chorar e contou-me a história. «Caneco! vou brindar a isso, ainda bem que estás vivo, pá!» e abri uma garrafa de vinho que tinha guardada para as ocasiões em que os amigos sobrevivem!
Moral da história... não sei qual é a moral da história...
Depois do incidente, o 420 foi substituído por um modelo mais recente. Descansa esquecido nas profundezas obscuras de um armazém, mas um dia ainda o vou recuperar e voltará a sulcar os oceanos, intrépido em busca de aventura ☺.