domingo, 8 de abril de 2012

RIP* Citroen AX

*rest in peace.
O meu pai vai desfazer-se de um carro histórico para a minha família O Citroen AX.
Foi comprado novo como prenda de fim de curso para a minha irmã, ela andou com ele uns bons anos. Entre 1997 e 2003 foi o meu carro e levou-me por muitas aventuras... lembro uma vez que fui escalar aos Pirineus, antes de trocarmos o motor do carro, em que ele gastava tanto de óleo como de gasóleo... Mas das muitas viagens que fiz nele, a minha preferida foi um overland até Tirana a capital da Albânia com a Sandra, a minha esposa. Cerca de 5000 Km durante todo o quente Agosto de 2003.
O depósito de combustível estava roto e só dava para encher até meio... Descobrimos logo na estação de serviço do Continente de Leiria. O termostato que fazia disparar a ventoinha de arrefecimento do radiador também tinha vontades próprias, descobrimos na Itália e fomos sendo lembrados durante toda a viagem, quando nos sítios menos desejáveis o carro parava e só voltava a andar depois de umas boas horas de descanso. Aprendi uma série de nomes relacionados com mecânica numa série de línguas... bósnio, italiano, albanês, etc.
A memória já me falha para contar a história da viagem, mas as fotos que encontrei da altura ficam como o melhor registo :)

Então foi assim:

Entramos nos Balcãs pela verde e fresca Eslovénia.



Fomos acampando e pequenicando em sítios maravilhosos desta bela Europa.




Peixe frito em Lubliana.


Paisagens espetaculares na Eslóvenia.

Uma rua em Zagreb, Croácia.

Aqui já no Norte da Bósnia e Herzegovina, uma estação de serviço e o primeiro contacto com as marcas da guerra dos Balcãs.

De repente começamos a ver cemitérios por todo o lado, mais do que seria normal...

 Passamos por Doboj (lê-se Doboi) a terra onde estavam aquarteladas as tropas portuguesa da ONU. Os tropas ficaram incrédulos com dois tugas a viajar tão longe num chaveco tão velho. Tivemos de mostrar a nossa valentia com a barriga encostada ao balcão da messe de oficias a beber Sagres.




Existiam uns poucos quilómetros de auto-estrada até chegar a Sarajevo, a raquete de saída da auto-estrada era isto... um cemitério!



As marcas da guerra estavam por todo o lado na cidade, a começar pela Snipers Avenue, célebre nos noticiários dos anos noventa que davam os relatos dos genocídios que aqui aconteceram. Visitamos um rudimentar museu que contava muito da história da guerra com fotos e filmes de arrepiar. O museu era na entrada de um tunel secreto que passava por baixo do aeroporto da cidade e que serviu para abastecer a resistência e evacuar pessoas, durante o mais  longo cerco da história da guerra moderna, entre 1992 e 1996,  feito pelas forças Sérvias.





 

Segundo o meu livro guia, algures por aqui tinham asassinado alguém, não recordo quem, e por isso tinha começado a primeira guerra mundial...






 Esta foto é uma das minhas fotos de viagem preferidas... Bye bye AX! as barras do tejadilho são as mesmas que foram para o Mali no Clio, hahahaha.


Mostar uma cidade linda também muito dilacerada pela guerra.



Dubrovnik, novamente na Cróacia, mais desenvolvida e por isso com mais recursos para apagar e esquecer os anos de guerra.


 Fronteira com a Jusgoslávia pelo Montenegro que na altura ainda não era independente.


 Uma paisagem... podia ser em qualquer outro sítio do mundo.




Os fiordes do mar Adriático, fantástico.


 Uma terra espectacular que já não recordo o nome, está classificada pela UNESCO. Cálcario aqui não falta, aliás o nome Karst com que denominamos os cálcarios vêm daqui.



Uma praia para locais, em areia.



Uma praia para locais, em calhaus.




 Houve uma zona em que deixamos o carro e viajamos uma noite inteira de comboio até Belgrado.


 À saída da estação de comboios de Belgrado a primeira coisa que vimos foi este edifício, era a sede da televisão nacional da Sérvia, levou umas bolachadas dos americanos... que também vieram aqui molhar o pãozinho na sopa, claro!



 Confluência entre o Sava e o Danúbio, o Danúbio é o segundo maior rio da Europa depois do Volga, nasce na Floresta Negra da Alemanha e desagua no Mar Negro, na Roménia, 2880 Km. O Sava é mais modesto, com 940 Km.


Parque automóvel muito interesante ;)



Mais uns desgraçados que por aqui tombaram...




A entrar na Albânia. Dos últimos países a abrir as fronteiras na Europa.
Não foi fácil convencer os guardas da fronteira que estavamos a turismo e queriamos visitar a Albânia.
Um "must" para quem gosta de países esquisitos, como eu.














O que íamos vendo pelas janelas do AX.





Em segundo plano, pendurado na árvore, são vestidos de noiva :)



A Vodafone já lá estava em força, aqui ainda era Telecel.


Por estas montanhas o carro decidiu parar, em menos de nada estavam uma série de Albaneses a ajudar... ou a mandar bitaites... havia por ali alguns ex emigrantes da Itália de maneira que conseguimos comunicar com alguma facilidade.



Na praça central de Tirana.




A estátua de um líder albanês do Sec XV.


Arquitectura Estalinista do tempo de Enver Hoxha, o grande líder Marxista-Leninista da Albânia, durante 40 anos, até à sua morte em 1985.



 Na Albânia metemos o bolite num ferry e atravessamos o Adriático até Bari no calcanhar da bota italiana.



Visitamos Pompeia, queria visitar pompeia desde miúdo quando passou na televisão uma série que se chamava "Os últimos dias de Pompeia" e que contava os últimos dias da história desta cidade que pereceu debaixo das cinzas de um vulcão no 79 d.C. e esteve enterrada durante 1600 anos. As cinzas e a lama da erupção preservaram tudo.


Os corpos das pessoas ficaram calcinados debaixo das cinzas na posição em que se encontravam. A visita é incrível.


 Ao fundo o responsável pela tragédia, o vulcão Vesúvio.


Três famosos nesta foto, eu o AX e o coliseu de Roma.
 Hehehehe




Vaticano.

Chupas do Pápa, muita bom.


 Onde raio é o caminho...


 Portuguesas lindíssimas...


 Italianas também...










 O Nascimento de Venús... ia-me valendo uma multa, não se pode fotografar.
Em Florença.


Love it... Fim da história.